Poesia - Parte I

Entre as coisas que mais gosto de produzir, sem dúvida, está a poesia.

Poesia que faço desde os oito anos, em tenra idade, feliz e contente por conseguir costurar pequenos versos.

Ainda não publiquei nenhum livro de poes

ia, mas o momento está próximo.

E como tecnicamente estou de férias desde o dia 22 de dezembro, decidi reler e compartilhar algumas de minhas poesias por um mês. Até retomar as atividades de músico, educador, pesquisador...

Obras estas que estão entre 2008 e 2010.

Um abraço, e espero que aprecie.

“TRAÇOS” 2008

Tarda em um traço distante

preciso e elegante.

Cobre o que redunda em sombra

Em um traço fino e constante.

Teima num poço profundo.

Allegro em um vivace a cores.

Parla: Pra que pintar flores se tudo o que vejo são riscos?

“HASTES” 2009

Entre as hastes coloridas

Jaz um sol brilhante.

Jaz um sol senil.

Jaz um sol.

Entre as torres retumbantes.

Jaz o sol distante.

Um arrebol brilhante.

Um carnaval sutil.

Entre as sombras flutuantes.

Jaz um amor distante.

Jaz um sol febril.

Foge amor:

Doença nenhuma mata mais que o tempo.

“DELÍRIO SUBURBANO” 2008

Esperava por toda esquina o amor.

Esperava, esperava.

Esperava para toda vida.

Esperava em todo sonho.

Não se esgueirava a nada,

A casa tranquila engasgava e enganava a solidão.

Esperava a toda esquina: o chão.

Esperava por toda esquina o amor.

Esperava, esperava.

Esperava por toda vida.

Esperava em todo olhar.

Não se espelhava nada,

A casa vazia esperava e encrustava a solidão.

Esperava por toda esquina: o pão.

“CONSOLAÇÃO” 2008

Não me consola a vida que não tive.

Não me consola o tempo que abstive.

Não me consola o vento que não urgi.

Sequer a história que não cabe.

Não me move o tempo que leva.

E não me deixa o tempo que não tive.

E se a vista rouba o sacrifício,

Finjo que a demanda já não me aflige.

E se finjo consolo no silêncio duro, o tempo entrega:

- Não há Paraíso a longa vista qual estrada em longa reza.

“ELIPSE” 2009

Ao sinal vermelho voa.

Desatento ao verde anil.

Foge a tez um sorriso enfaixado.

Avoado em um bom pavio.

Ao sinal vermelho grita.

Avisado em um tom ardil.

Some a tez um sorriso untado.

Encaixado em um assovio.

A cidade morre ao lado.

A cidade morre em fardos.

A cidade move os poucos.

“INVASIVA” 2009

Até parece um esconderijo que não esconde nada.

Ou compromisso que não leva a nada.

Se parece prece, até parece prece.

Se parece rio que não revela o fundo.

Ou transbordado alastrando o caos e o lixo.

E os bichos soltos nos homens mordem os bravos.

Papéis, cigarros e um velho álbum misturado nos papéis dos carros.

Também arrastados, também devastados, naufragados.

Pobre homem - mero escarro, mero escravo.

todos os direitos reservados 2020

Ouça João Marcondes no Spotify, Deezer, iTunes Music e similares

Contato | 55 11-982296553