"Anoitece calmo na favela, na janela logo ela, a mais bela do lugar. Musa estonteante têm a sina de viver a esperar... Ouve equidistante os peregrinos do trabalho, maus meninos, um boêmio a dedilhar maliciosamente um samba antigo que acabara de lembrar. Tudo vira e gira, treme e passa, movimenta os poucos quadros da parede sem pintar. Sei lá, reza pra chegar. Sei lá, se o amor existe ou simplesmente já não há por entre as ruas desse mundo, entre as curvas de outros corpos, em conversar por aí. Ela realmente ali parada aparenta se exibir. Quando bem de longe avista o homem, se perfuma toda e some, as cortinas vão fechar. Logo o hemisfério vai sentir dama da noite pelo ar! Ar!". (Realmente - de João Marcondes, 2006, do disco Realmente, 2009)

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