A música e a cognição


Em uma era cuja imagem prevalece sobre quaisquer fundamentos artísticos habituamo-nos a compreender a Música como algo diluído em ocasiões sociais. Uma música para festas - para se dançar ou entreter; ou aquela música ambiente de encontro - ao longe, perpetuando sem que seja notada. A música que passa despercebida aos ouvidos menos atentos. Como um ruído, não há reflexão apenas um movimento linear que preenche o vazio entre os diálogos. A música e a cognição então, onde estão?

A música neste caso é algo que existe sem que haja necessidade de uma audição apurada. Qualquer obra musical que fuja eventualmente do repertório melódico fará com que o subconsciente receba com estranheza, desconforto, e enfim, sensação de incomodo. A música para ambientes sociais repete clichês. Não se preocupa com arte.

Podemos compreender algo do cancioneiro popular apurado posto de versos não mirabolantes, mas reflexivos, ou de ornamentação e nuances de algo instrumental. E por exemplo, não que a música erudita ou o jazz sejam como uma obra de arte visual contemporânea, restrita, habitualmente para iniciados. A música apenas possui valores artísticos específicos que para audição necessita atenção, imersão.

O cinema é um ambiente que de certo modo o ser humano aprecia música. Claro, sem que de fato orne a grandeza que a merece. Alguns ouvintes tendem a confundir obras musicais artísticas com trilhas sonoras de filme. Pois de certo modo, o cinema permite variações que sublinhem ou marquem determinada imagem, de forma a complementa-la. A arte complexa do cinema, aglutina diversas vertentes da expressividade humana conservando abertura propícia a criação.

O que faria da música protagonista?

Acesso à informação é primordial. Sem dúvida, impressiona que em pleno século XXI com tantas ferramentas de comunicação, a música ainda seja negligenciada. E mesmo em um país tão musical quanto o Brasil não existe um projeto para que façamos a música matéria de ensino regular, obrigatória. Por que?

A música contribui com a cognição. Com o pensamento. Com a capacidade de raciocínio. E agora? Ficou claro por que então tamanha negligência?

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