CÓLERA


O impulso para a criação artística não é uniforme. O impulso para a criação artística não é contínuo. Não se respeita pausa, ócio ou bem estar. Não se espera o afago da vida ou a melhor situação. O impulso para a criação artística pode vir de qualquer lugar.

Extraímos das situações nossas angústias. Extraímos dos acontecimentos nossas alegrias. Profundamente contrastantes com o mundo. ou integralmente atrelada a um poço profundo.

Cólera não seria possível sem a canalhice de certas pessoas.

Cólera não seria possível sem a desonra das mesmas pessoas.

Cólera não seria possível sem a fofoca. Sem a conversinha de freguesia. Sem as carochinhas mal-intencionadas. Cólera não seria possível sem a tecnologia usada para o mal.

Cólera não seria possível sem certa voz lírica desafinada entre o discurso humano e o social.

Cólera não seria possível sem a ingratidão.

Cólera não seria possível sem certo pandeiro de bandeja.

Cólera não seria possível sem certo compositor comemorado, e o contraste óbvio entre o discurso poético da violência e o que lhe faz o ser humano por de trás do "artista engajado". (aqui caberia também o falso, o dissimulado, o contraditório, o mentiroso, e outra vez covarde por agir como difamador - o lobo em pele de ovelha, sempre serve)

Dois coiós e uma louca. Resumo de quem são.

Cólera trouxe o pior do ser humano a mim.

Embora a Cólera também tenha trazido a luz nas mãos de um amigo honrado, a Cólera trouxe a cumplicidade ainda maior do irmão/pai/amigo e agora saudoso Azael! E ali a honra e o compromisso com a verdade.

Ou também do grande amigo/irmão/pai/filho/cúmplice Joca Freire, pra quem dedico a canção Réstia! Avante pois somos Corrupiões. Guerreiros.

Venci a Cólera, isso posso dizer. E como venci? Simplesmente através da arte, através desse disco.

Cada mau sentimento extraído de mim hoje é um verso. Uma melodia. Ou está na interpretação. Na agressividade do violão pego no antidoping. Na produção do disco. Na finalização da obra. Na capa que não recebe meu nome, por que da fúria eu mesmo deixei de me reconhecer. E passou, e passou.

A Cólera acabou. Não mora mais em mim. E sabendo da Cólera que existe torço para que outras pessoas consigam vencê-la. Sei do mal e das consequências. Vivemos a Cólera em resultado nos noticiários. De quem perde o controle por cinco minutos. Por quem é vencido. Por quem mata. Por que se mata. Quem não venceu a Cólera ou está em um presídio, acamado em depressão, ou morto por suas mãos.

A mim não. Passou. Ruiu no sarcasmo, na tristeza, na superação, do deboche do tamanho do antagonismo da situação. Viva a incoerência desses ex-pares, gente realmente do mal que agradeço por não mais coexistir.

Escute o Cólera em breve no Spotify, Deezer, iTunes, e similares.

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