CANÇÃO PÓSTUMA

November 7, 2016

Ter uma obra encomendada é o sonho do compositor. Aquela obra que atenda demandas artísticas de um projeto oriundo de outra concepção criadora. Motriz para o desenvolvimento final de uma obra. Ando seguidamente assumindo essa experiência no balé, que venho gravando continuamente com minha Orquestra Camerística de Butiquim (já são quatro álbuns!).

 

Ao cinema normalmente recebemos a película pronta, acrescida a descrição de expressividade e características que o diretor gostaria de alçar na complementação estética de determinada cena ou de todo enredo.

A obra Libera-me, adaptação de texto sacro, melodia concebida ou utilizada por Gerges Bizet, compositor francês, foi o ponto de partida para a criação da Canção Póstuma. Como compositor emprestei as nuances melódicas da melodia para conceber uma grande variação, uma ideia de organum paralelo entre duas vozes contraltos, Célia e Celma - duas cantoras ímpares da música brasileira, com timbres marcantes e características realmente diferenciadas. Um espetáculo. E quem consolidaram o convite a mim. Produzi o trabalho da dupla para o programa Ensaio da TV Cultura, com Fernando Faro. Arranjos e direção musical minhas, comigo também ao violão, Gustavo Sato ao contrabaixo, Micaela Marcondes ao violino, Adriano Busko na percussão, Cimara Fróes no acordeom, João Poleto na flauta. O Vídeo abaixo apresenta a abertura do espetáculo. E nossa amizade prosperou em três grandes trabalhos.

 

 

Seguindo a Canção Póstuma, propus na obra uma estilística impressionista.  Os violinos entrelaçando melodias em contraposição ao canto. Criando sensações experimentais em algo que a priori remeteria a uma estética Renascentista. O contra-baixo em pizzicato ativa a expressão. E os violinos respeitando a organologia e a incidência dos harmônicos, constituindo a estética sustentada.

 

A surpresa para a peça está na forma final utilizada pelo diretor. Não tive acesso a cena gravada. Preparei a trilha no meu estúdio, mixei e masterizei no ARSIS com meu amigo de toda hora Adonias Jr. E só, trilha pronta.

 

Não tive uma orientação clara sobre como me comportar quanto a composição na fase posterior a produção. Realizei uma pesquisa histórica, de onde se passava o filme, em que momento, início do século XX, e em Porto Alegre, Rio Grande do Sul - Brasil. E a partir daí a obra foi concebida. Mas e agora?

 

Tamanho o apreço do diretor na audição da obra, que para total surpresa, a cena que a obra ilustraria musicou todo processo de gravação, trecho por trecho, momento por momento, a música alimentando os atores e figurantes, gerou comoção. Uma experiência indescritível.

 

Vale conferir a cena no filme "Os senhores da Guerra" de Tabajara Ruas, e roteiro do jornalista e intelectual José Antônio Severo.

 

Mais um trabalho de João Marcondes.

 

Disponível no Spotify, Deezer, iTunes.

 

 

 

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