Incoerência e Desserviço

October 5, 2016

Fundei em 2003 o Selo BAC Discos que gentilmente chamo de gravadora. Com estúdio próprio, algo incrível se pensarmos no quão existe selos com trabalhos sérios no Brasil. Era um sonho. Um devaneio.

 

O capital desse selo surgiu de fundos pessoais, oriundo do meu trabalho artístico e de educador musical.

 

Orgulho-me de ter produzido mais de cinquenta discos sem nunca ter obtido incentivo fiscal ou quaisquer leis de fomento a cultura, ou financiamento coletivo. Não por falta de convite mas por opção ideológica. São mais de vinte discos no SELO hoje.

 

No ano de 2015 propus produzir dois discos para o SELO BAC Discos: O Indelével Prenúncio das Águas - instrumental, composição de minha autoria para meu grupo Orquestra Camerística de Butiquim lançado; e um segundo disco de certo compositor cujo o primeiro álbum também foi produzido pelo SELO BAC Discos sob minhas mãos.

 

Esse álbum foi concluído incrivelmente e com uma linguagem realmente ímpar. Eu ao violão. O disco foi gravado em um grande estúdio de São Paulo por quem considero dos melhores técnicos do Brasil entre novembro de 2014 e maio de 2015, em julho de 2015 foi finalizado - mixado e masterizado. 

 

Enfim, processo terminado, com ISRC incluso, produzido e financiado e  em vias de sair quando por um desentendimento pessoal digno de novelas de carochinha, o tal "artista" simplesmente decidiu por via de mão única, afeita aos não democratas, pausar o lançamento do disco.

 

Comunicou a mim e ao selo por sua vez em uma reunião para tratar do ocorrido em esfera pessoal. Triste por misturar pessoalidade com profissionalismo, o selo suspendeu o lançamento até que nos reuníssemos novamente para tratar o assunto do lançametno do disco, "esperando uma pausa para baixar a poeira". O disco desnecessariamente esperaria.

 

Passado um mês dessa reunião foi ventilado por terceiros ao Selo que o artista sem comunicar-se novamente (quebrando vínculos morais e éticos) iniciou a (RE)gravação do mesmo repertório. Utilizando os mesmos moldes, enfim apropriando-se de ideias do produtor e sob alegação absurda e pública, de que a gravação produzida pelo Selo BAC Discos, com o melhor técnico do Brasil, e a mim como produtor, teve "PROBLEMAS DE PRODUÇÃO". Covardia. Falta de razão e ética.

 

Caros amigos. Não. Não houve problemas de produção. Essa divagação é digna dos incompetentes, medíocres e mentirosos. E bom, o artista colhe louros que não são seus, em atitude que o próprio dezenas de vezes criticou.

 

Não assumir publicamente o fato PESSOAL ocorrido como motivo para regravar um produto extremamente profissional, e ainda acusando esse produtor que vos fala, e um SELO batalhador que tira leite de pedra de "PROBLEMAS DE PRODUÇÃO" é imoral

 

O artista lançou há um mês esse (RE)gravado de forma independente - e contrariando absolutamente tudo que outrora garantia como ideologia. Que fase Brasil!

 

A vontade leviana do selo era lançar a gravação original, e idéias da produção do disco, por que esse "artista" as usurpou nesse regravado. E lançar a original conjuntamente a esse (RE)gravado a fim de que se comparasse a qualidade da música e do discurso vazio quanto a produção do selo. Vontade para se fazer JUSTIÇA as mentiras desse "artista". Se são de "PROBLEMAS DE PRODUÇÃO"? Veríamos. 

 

Lançar a obra produzida pela BAC Discos resolveria o estrago causado mas incorreria em igual proporção a ética que falta a esse "artista", e que repugnamos. No selo não falta ética.

 

Como se não bastasse a mentira do "PROBLEMA DE PRODUÇÃO" o senhor "artista" concluiu sua saga pessoal pela incoerência com o seguinte comentário quando o selo reportou ao artista: "Nunca pedi para você produzir nada meu. Você produziu por que você quis". Que beleza!

 

É... "gente de bem".

 

Quando obteve tal resposta, o selo cobrou a falta de comunicação do artista quanto ao disco (RE)gravado sem comunicação.  Simplesmente o "artista" não atendeu a 17 ligações telefônicas. Bloqueou o Facebook. A resposta dada com ironia e desleixo foi feita por email. Digna das pessoas honradas? De pessoas que se pode olhar no olho?

 

A BAC Discos esperava por no mínimo respeito e ética um contato profissional. Que não veio. Por gratidão então? Já que esse artista que colhe os frutos que sempre negou em programas de TV manipulados, com cara lavada e mentindo, com os louros dados pela produção de seu primeiro disco produzido aqui em casa? Não. Não veio. Falta ética. Comprometimento. Falta tudo a esse "artista" que enlaça sua poesia aos injustiçados, aos pobrezinhos, aos coitados. Lindamente por sinal. Mas que pela incoerência revela o vazio e oportunismo de seu discurso.

 

Ocorreu ao selo buscar medidas judiciais, descartada já que vale ao sentimento maior não de perda financeira, de investimento de tempo, o sentimento maior é de pena

 

A mentira forja esse "artista". E saber disso é inegavelmente gratificante.

 

Eu em pessoa escolho quem fará e quem não fará parte do trabalho do SELO BAC DISCOS. Sou diretor geral sim, e escolho a dedo os trabalhos. Mostrei como diretor do selo BAC Discos que investi em um bom artista mas que é alguém indigno de compor o trabalho de um selo batalhador.

 

A BAC Discos permanece viva e esse ano de 2016 já lançou 6 discos, com força, com honra, ética e comprometimento. Endividada sim, mas sem se fazer de pedinte, ou de coitada. É olho no olho.

 

Colham aí sucesso comercial, prêmios, confetes e serpentinas. Aqui partimos com a verdade, com o respeito e com a moral.

 

A arte está para nós em segundo lugar, em primeiro está a ética.

 

Já lutamos pelo desserviço e sangrar por quem pelas mãos considerávamos nossos pares é dor inconfundível. Feliz é aquele que percebe o antagonismo entre o discurso - da obra e o que lhe faz humano.

 

Sobrevivemos a esse desserviço!

 

Plagiando certo discurso vazio: vergonha alheia ou melhor, canalhice aqui não.

 

VIVA A INCOERÊNCIA! Aqui tem profundidade, olhar e reflexão e não terá jamais golpe de vista.

 

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